segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Crime passional

Assassinar-me-ei nos próximos versos
cravando uma mesóclise em meu peito

Ao olharem meu corpo
dirão:
foi suícido.
Perfuração verbal por um pronome oblíquo.

Porém, nunca saberão
que o pronome era outro.
O verbo é o mesmo,
quem mudava era o morto.

Uma curta escapulida
tornou meu ato reflexivo.
E se já está no papel,
também já está dito.

Em nada me custa morrer
Mas se o futuro pudesse prever...
O que já se escreveu,
assim teria escrito:

Assassinar-me-eu.

v

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Poema naturalmente incompleto

Pus a cadeira na varanda
pra ver o dia morrer...

Você vinha devagar pela estrada
e eu lhe acompanhei
com os olhos
até você sumir.

Mais mistérios do coração de um sabiá

Passarinho tem saudade.
Quando longe, tem vontade;
quando perto, sente medo
de que pousando em meu peito
fique preso numa gaiola.

v

Ouça este poema recitado: