segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Da janela do avião


Eu escreveria um lindo poema
se meus olhos pudessem ver.

Eu escreveria versos
sobre aquelas casinhas de fósforo
tão ao longe...
Mas ficam tontos os meus olhos.

Se os meus olhos pudessem ver,
eu escreveria sobre o mar branco
(de branca dor)
por onde navega este avião.

Escreveria sobre a linha reta
que o homem traça
ensinando geometria aos campos.

Escreveria sobre os olhos de Deus,
mas os meus próprios olhos
não são capazes
de enxergar.

Faria estrofes sobre as cidades
que se expandem
e se espalham,
infinitas.

Escreveria sobre o destino
daqueles carros
que lá embaixo se movem.

E sobre as gentes
que dentro desses carros
sobem e descem as ruas
de suas vidas.

Eu escreveria sobre a loucura
das estrelas
mas não consigo
mirar.

Em tempo, 
já estou em solo outra vez 
e deixo 
o mundo
para um poeta de olhos mais firmes.